CRÍTICA | DIA D

Mesmo em um território familiar, Dia D não revela absolutamente nada novo Steven Spielberg retorna ao tema que mais o atrai: a possibilidade — ou a crença — de que não estamos sozinhos no universo. O diretor, que já embarcou em narrativas icônicas como E.T. o Extra-Terrestre, Contatos Imediatos de Terceiro GrauClose Encounters of the Third Kind e Guerra dos Mundos, prova mais uma vez que, como poucos, entende a construção de um grande espetáculo cinematográfico. Entretanto, nem mesmo ele está imune às próprias obsessões. Em Dia D, Spielberg trabalha novamente ao lado de David Koepp para produzir uma história épica de ficção científica. No longa, o mundo entra em pânico após um evento inexplicável ser transmitido ao vivo pela televisão. Fenômenos estranhos passam a surgir ao redor do planeta, enquanto segredos militares são expostos, desencadeando uma crise global sem precedentes. À medida que a presença de uma inteligência alienígena se torna cada vez mais evidente, cientistas, autoridades e civis precisam aprender a lidar com a ideia de que a humanidade jamais esteve sozinha. Ao longo de quase duas horas e meia de projeção, ficam evidentes os poderes de Spielberg para realizar feitos admiráveis com a câmera. A partir de uma história concebida pelo próprio diretor, coube a Koepp transformar em roteiro a intriga e a sucessão de eventos baseados na hipótese de que não estamos sozinhos no universo e, sobretudo, em como o mundo reagiria à descoberta de uma conspiração governamental dessa magnitude. Tudo parece atraente e bem apresentado em teoria. O problema é que as temáticas propostas raramente se conectam da forma como deveriam. A riqueza da imaginação de Spielberg não encontra correspondência no trabalho narrativo de Koepp e, pior, em nenhum momento parece haver uma correção de rumo para alinhar essas ideias. O resultado é um filme divertido, mas nada inovador. Os conceitos são lançados à mesa sem o devido desenvolvimento, e certas passagens não condizem com o rigor narrativo que Spielberg já demonstrou em outros momentos da carreira. Exige-se uma dose considerável de boa vontade para defender algumas escolhas, ainda que a tensão e determinadas sequências isoladas sejam um espetáculo à parte, especialmente graças a um visual que parece imune à passagem do tempo. E no que talvez seja a melhor atuação da carreira de Emily Blunt, a atriz demonstra que, mesmo diante de um material irregular, é capaz de elevar qualquer projeto. Emoção, tristeza, consternação, aventura e espanto atravessam sua personagem de forma vigorosa, fazendo com que Blunt carregue grande parte do peso dramático da projeção nas costas. Dito isso, não há como mascarar o óbvio: Spielberg já fez melhor. E, ao menos, encerra este capítulo de sua filmografia dedicado ao tema que mais o fascinou ao longo da vida. Nota do crítico:  Título: Dia D Duração: 2h25min Gênero: Ficção-científica, suspense Onde Assistir: Cinemas Sinopse: Se você descobrisse que não estamos sozinhos, se alguém lhe mostrasse, provasse isso, isso te assustaria? Neste ano, a verdade pertence a sete bilhões de pessoas. Estamos nos aproximando do? Dia D.