CRÍTICA | “O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”

Mesmo desagradando os puristas, a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes é excitante e divisiva — como um bom filme deve ser.

A terceira empreitada de Emerald Fennell na direção leva às telas uma nova leitura do clássico da literatura inglesa que, para desespero dos fãs mais ortodoxos, não demonstra qualquer preocupação em agradar seus defensores mais fiéis.

Quando esse tipo de projeto surge e as primeiras entrevistas já indicam a aplicação clara da visão da realizadora, este crítico só pode reagir com entusiasmo: que bom momento. Fennell, afinal, conquistou aclamação e seu primeiro Oscar com Bela Vingança, mas dividiu opiniões com o controverso Saltburn — e parece disposta a repetir o feito aqui.

Nada é mais enérgico e necessário do que ver uma obra tão reconhecida ser revisitadas sob outra ótica. Independentemente das polêmicas sobre fidelidade ao material original, o cinema também se sustenta pela curiosidade que provoca; mesmo quando falha, um filme assim jamais passa despercebido por quem decide comprar o ingresso.

Antes de reaplicar a mesmice, é louvável que algo inesperado — bom ou ruim — esteja em cartaz e gere debate.

A trama acompanha as famílias Earnshaw e Linton, centrando-se em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), cujo romance intenso nasce para destruir a vida de ambos. O filho adotivo do patriarca e Catherine entram em um ciclo de obsessão, rejeição e vingança, enquanto tentam se distrair com essa paixão doentia que os consome.

O espetáculo visual é, sem dúvidas, um dos pontos mais altos do filme. Do design de produção aos figurinos exuberantes, tudo é irrepreensível — e arrisco dizer que veremos indicações técnicas fortes no Oscar 2027.

A fotografia de Linus Sandgren reforça essa impressão. Sempre preciso e elegante, o profissional imprime uma beleza singular a cada quadro, compondo imagens que verdadeiramente enchem os olhos.

É nessa vertente estética que Fennell concentra sua força autoral. Ao aparar as arestas mais densas do romance de Emily Brontë, a diretora desvirtua — de propósito — a estrutura tradicional da obra para enfatizar a relação obsessiva e tóxica entre Heathcliff e Catherine.

Elordi e Robbie funcionam como dinamite em cena e estão excelentes nos papéis, compreendendo perfeitamente a dinâmica destrutiva de seus personagens. Robbie, sem exagero, reafirma-se como uma das melhores atrizes em atividade hoje, enquanto Jacob demonstra ter todas as ferramentas para se tornar um dos grandes nomes de sua geração em um futuro muito próximo.

Nota do crítico: 

Título: “O Morro dos Ventos Uivantes”

Duração: 2h16min

Gênero: Drama, Romance

Onde Assistir: Cinemas

Sinopse: O Morro dos Ventos Uivantes conta a história das famílias Earnshaw e Linton. Centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), um romance intenso surge para destruir a vida dos dois jovens. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca paixão.

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