Muito se sabe da importância das adaptações de Stephen King para o cinema, pois a relevância de suas obras se transferiu das páginas para as telas com força igual ou até maior no período em que foram realizadas. É possível dizer que A Longa Marcha – Caminhe ou Morra seja um dos filmes mais necessários em nosso tempo.
A trama se passa em um futuro distópico, onde os Estados Unidos vivem sob um regime autoritário. Nesse cenário, uma competição mortal recruta, todos os anos, um grupo de cinquenta jovens meninos para o que chamam de A Longa Marcha.

Eles precisam seguir uma única regra: manter-se caminhando, sem parar, para não serem baleados enquanto essa prova brutal de resistência é transmitida para milhares de espectadores ao redor do país.
É preciso andar e andar até que apenas o último sobrevivente permaneça de pé. O prêmio é a concessão de um único desejo para o resto da vida, mas, para alcançá-lo, será necessário lutar contra os obstáculos e a exaustão. Se qualquer um tropeçar, cair, andar no limite da velocidade permitida ou se sentar, recebe um aviso. Após três comunicados, está fora — permanentemente.

Assim como no livro, entre os jovens está o adolescente Ray Garraty (Cooper Hoffman), que busca realizar um desejo obscuro, para desespero de sua mãe, interpretada pela excelente Judy Greer. Ela pouco aparece, mas nos desmonta por inteiro.
É notável como o filme concretiza uma ideia simples de maneira tão firme e segura. A direção de Francis Lawrence (franquia Jogos Vorazes) é econômica, porém centralizadora na dinâmica da narrativa, com uma eficiência chocante.
O diretor, já acostumado a realizar obras voltadas para jovens adultos baseadas em clássicos literários, parece ter criado um maneirismo único e exclusivamente seu, capaz de nos chocar e consumir por inteiro, sob o auxílio de um roteiro primoroso escrito pela revelação JT Mollner.

A trama é simples, mas igualmente urgente, dadas as questões políticas dos nossos tempos sombrios. Tudo está lá, até mesmo na concepção de King, já presente na época da publicação original do livro.
Mas tudo ganha força motriz pelo conjunto de atuações, muito bem escalado. Nesse sentido, Hoffman se destaca pela frieza que se desfaz ao longo da jornada, e conta com a parceria de Peter McVries (David Jonsson), que é uma revelação.

O ator já havia demonstrado uma capacidade de atuação arrasadora em Alien: Romulus, mas aqui se consolida como uma joia geracional, cujo futuro será brilhante. É notável a forma como deixa as falas transcorrerem com sinceridade e verdade.
Por isso, e por muito mais, A Longa Marcha – Caminhe ou Morra é um dos melhores filmes do ano — e um dos melhores que já vi na vida.
Nota do crítico:
Título: A Longa Marcha – Caminhe ou Morra
Duração: 1h48min
Gênero: Ficção, Suspense, Terror
Onde Assistir: Cinemas
Sinopse:
Em um futuro distópico, 100 jovens participam de uma competição brutal na qual só um pode sobreviver. A cada passo, a tensão aumenta. A Longa Marcha é uma adaptação eletrizante da obra de Stephen King.