CRÍTICA | SOCORRO!

Sam Raimi volta em boa forma com um longa completamente insano

Sam Raimi volta em boa forma com um longa completamente insano

Fazia tempo que Raimi, um diretor marcado pelo tom escrachado e sangrento, não entregava prazeres tão diretos, ainda que seu novo longa exija um pouco de boa vontade por parte do público.

Na trama, acompanhamos Linda Liddle (Rachel McAdams), uma funcionária exemplar e inteligente de uma empresa comandada por um chefe intransigente e abertamente machista: Bradley Preston (Dylan O’Brien).

A relação profissional conturbada entre os dois é levada ao extremo quando ambos se tornam os únicos sobreviventes de um acidente de avião. Presos em uma ilha deserta, no meio do nada, Linda e Bradley são obrigados a confrontar antigos ressentimentos e trabalhar juntos para sobreviver às condições inóspitas do local.

O que se estabelece, no entanto, é um jogo de poder que vira de cabeça para baixo as hierarquias previamente impostas. Uma sucessão de reviravoltas coloca os dois em uma batalha pela predominância enquanto aguardam por um possível resgate.

Faço aqui um elogio público e necessário a Rachel McAdams. A atriz simplesmente devora o papel, entregando uma atuação maníaca, física e absolutamente comprometida. É evidente o quanto ela se diverte em cena, transformando Linda em uma personagem impossível de não apoiar — muito pelo reconhecimento imediato do que ela representa em tela.

O mesmo vale para Dylan O’Brien, que interpreta um chefe intragável digno de total repulsa. Os maneirismos clássicos desse tipo de superior autoritário e mesquinho estão todos ali, e o ator faz questão de preservá-los mesmo quando a situação extrema da queda do avião deveria, em tese, alterar sua personalidade. Pelo contrário: ela se cristaliza.

O ponto mais fraco do longa, infelizmente, reside em um aspecto que Raimi poderia ter conduzido com mais cuidado: os efeitos práticos. Há um abuso de efeitos digitais mal acabados que pouco contribuem para tornar memoráveis os momentos mais grotescos e carnais do filme. A falta de esmero técnico nesses trechos acaba destoando e desviando a atenção do que realmente importa.

Ainda assim, trata-se de um divertimento banal — e necessário — em um mês historicamente morno como janeiro. Um filme que reforça a ideia de que ainda é possível fazer esse tipo de cinema sem pudor quando o diretor por trás da câmera atende pelo nome de Sam Raimi.

Nota do crítico: 

Título: Socorro!

Duração: 1h54min

Gênero: Comédia, Terror, Suspense

Onde Assistir: Cinemas

Sinopse: Após um acidente aéreo, um chefe e uma funcionária que se odeiam são os únicos sobreviventes. Isolados numa ilha deserta, eles precisam decidir se cooperam ou competem para escapar, mas é difícil deixar para trás os conflitos do escritório.

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