A franquia Tron, de propriedade da Disney, desde sua concepção, sempre enfrentou questionamentos sobre sua viabilidade e relevância. O primeiro filme ainda conseguiu capturar o espírito de seu tempo graças à revolução tecnológica que propôs, marcada pelo uso pioneiro e extensivo de efeitos visuais.
Entretanto, o que se seguiu provou que uma boa embalagem não é capaz de esconder as falhas gritantes de desenvolvimento de personagens, resultando em alguns dos roteiros mais fracos já escritos para uma produção de grande orçamento. Assim, Tron se consolidou como uma série de espetáculos visuais deslumbrantes, porém desprovidos de alma.

Na nova produção, subtitulada Ares, isso não seria diferente — na verdade, o filme consegue ir ainda mais fundo no poço.
A trama acompanha o programa Ares, uma entidade digital altamente avançada, desenvolvida para ser superior a qualquer outro sistema existente na Terra. Em uma missão de grande importância, Ares é retirado do mundo virtual para resolver problemas no mundo real. No entanto, os desafios de sua nova função o levam a questionar os próprios códigos que o definem. Estrelado por Jared Leto, Greta Lee e Evan Peters, o terceiro capítulo da franquia marca o primeiro contato entre a humanidade e seres de inteligência artificial autônomos.

Primeiro: talvez seja hora de Jared Leto reconsiderar a carreira de ator. É praticamente impossível falar deste filme sem destacar o quão ruim ele está aqui — e, sem trocadilhos, sua performance é robótica e apática. Tudo o que há de exuberante no figurino falta em emoção real. É impossível compreender o que Leto tenta expressar.

Ele simplesmente se afunda em um roteiro já deficiente. Apesar de todo o foco dado à tentativa de humanizar sua IA e fazê-la parecer senciente, tudo o que o ator propõe falha miseravelmente. O texto não ajuda, e Leto tampouco parece interessado em reagir com o mínimo de energia que desperte empatia no público.
Robin Williams foi infinitamente mais brilhante em O Homem Bicentenário — e a comparação nem deveria ser feita, tamanha a distância entre ambos. Mas Williams era um ator.

O elenco de apoio, por sua vez, se vê preso em um enredo frágil e sem direção. Greta Lee, Evan Peters e Gillian Anderson são desperdiçados em papéis mal construídos. Lee é o caso mais evidente: sua personagem é central para a trama, e mesmo sendo a que melhor se sai, isso não significa muito. Peters está caricato ao extremo — um exagero que beira o risível —, e a escrita dos roteiristas sequer tenta surpreender. Anderson, interpretando a mãe do vilão, compartilha do mesmo destino de nós, espectadores: perdida, sem saber o que está fazendo ali.
Dito isso, fica a critério da Disney decidir se vale a pena insistir em reviver essa franquia pálida. Sentido, não há. Nem mesmo as supostas cenas de ação conseguem convencer, tamanha a fraqueza da direção de Joachim Rønning.
Nota do crítico:
Título: Tron: Ares
Duração: 1h59min
Gênero: Ação, Ficção científica
Onde Assistir: Cinemas
Sinopse: Ares, um sofisticado programa, é enviado do mundo digital para o mundo real em uma perigosa missão, marcando o primeiro encontro da humanidade com seres de Inteligência Artificial.