CRÍTICA | ELIO

Um tanto derivado da linha de produção do próprio estúdio, Elio não inova mas até que emociona

O poder corporativo da Disney e Pixar está cada vez mais presente nas produções do estúdio, que para recuperar terreno resolveu adotar uma postura de sequências de longas adorados para conseguir cativar o público após a turbulência da pandemia em lançamentos via streaming e híbridos, salvo algumas exceções verdadeiramente sólidas, um novo longa chegou às telas, mas não sem ter passado por alguns problemas de bastidor.

Elio (Yonas Kibreab) é um menino de 11 anos extremamente sonhador, artístico e criativo. Sua dificuldade em se encaixar o torna um garoto solitário, mas muito imaginativo. Sua fascinação pelo espaço e sua obsessão por aliens e vida fora da Terra acabam o levando por engano para Comuniverso, um reino onde opera uma organização interplanetária que abriga representantes de múltiplas e diferentes galáxias. A aventura dos sonhos de Elio começa e rapidamente ele é confundido pelas criaturas como o embaixador e líder da Terra. A partir daí, o menino precisa superar confusões e crises intergalácticas, formar laços com vidas alienígenas e descobrir quem ele realmente é e qual é o seu verdadeiro destino. 

Primeiro quero ressaltar o trabalho particularmente lindo por parte do visual inventivo e dinâmico do espaço feito a partir de cenas tão reluzentes e brilhantes, o uso do 3D em especial é um dos melhores que já vi num filme em muito tempo. Imersivo, tocante. Aplausos a todos os envolvidos nesse quesito, nota dez.

Entretanto, existe uma evidente separação no filme que não passou despercebida pela problemática de bastidor que o filme passou desde quando foi anunciado. Uma troca de direção e um roteiro quase refeito do zero mostram que dois blocos distintos tentam se somar na condução da história de Elio, quer começa um tanto dramática e profunda, uma marca Pixar, para uma simplória aventura cheia de maneirismos baratos, que claro, irão divertir as crianças, mas e o miolo? Isso ficou de escanteio.

Longe de ser o Wall-E da nova era, o que também não teve a pretensão alguma de ser, o longa original luta para conseguir unir esses blocos e dar verdadeira importância ao deslocamento da criança que não se percebe na Terra e busca respostas fora dali, literalmente em outro planeta que o acolha como é. Essa narrativa é um tanto batida, mas se tivesse sido melhor trabalhada, poderíamos extrair algo verdadeiramente significativo, mas não é o caso.

Mesmo sendo belo e por vezes poético, esses flashes de emoção e originalidade pouco conseguem estabelecer essa conexão, e se torna um tanto descartável quando poderia ser incrivelmente memorável.

 

Nota do crítico: 

Título: Elio

Duração: 1h39min

Gênero: Aventura, Animação, Comédia, Família, Ficção-científica

Onde Assistir: Cinemas

Sinopse: Elio, um oprimido com uma imaginação ativa, se vê inadvertidamente transportado para o Communiverse, uma organização interplanetária com representantes de galáxias distantes. Erroneamente identificado como o embaixador da Terra para o resto do universo, e completamente despreparado para esse tipo de pressão, Elio deve formar novos laços com formas de vida alienígenas excêntricas, sobreviver a uma série de provações formidáveis ​​e de alguma forma descobrir quem ele realmente deveria ser.

Últimas publicações

Críticas